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TSE detalha como o Brasil fabrica e blinda as urnas eletrônicas que os EUA tentaram monitorar – Em Dia ES

A cerca de dois meses das eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) detalhou o rigoroso processo de produção e as 40 etapas de auditoria das urnas eletrônicas brasileiras, sistema utilizado há três décadas no país.

O reforço na transparência ocorre na mesma semana em que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil negou vistos de entrada a dois funcionários do governo dos Estados Unidos, que supostamente teriam a intenção de monitorar e levantar dúvidas sobre os equipamentos de votação.

Diante do cenário diplomático, a Justiça Eleitoral brasileira reafirma que o sistema possui arquitetura de segurança totalmente nacional, com código-fonte aberto a instituições fiscalizadoras e sem registro de fraudes comprovadas desde a sua implantação em 1996.

Produção nacional e 30 anos de fabricação
As urnas eletrônicas não são um produto de mercado desenvolvido conforme os padrões das próprias fabricantes, mas sim um equipamento único encomendado pela Justiça Eleitoral. Desde 1996, quatro empresas venceram licitações para fabricar os 14 modelos já lançados, totalizando 1.487.115 equipamentos produzidos. A previsão atual é de fabricação de quase 220 mil aparelhos do modelo mais recente, a UE 2022.

Ao longo desse período, as empresas responsáveis pela montagem foram a Unisys Brasil (fabricante da primeira urna, a UE 1996, e do modelo 2002), a Procomp Indústria Eletrônica (modelos 1998 e 2000), a Diebold ou Diebold Procomp (modelos 2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015), e a Positivo Tecnologia, fabricante dos modelos atuais UE 2020 e UE 2022. O equipamento é desenvolvido a partir de um edital de mais de 500 páginas elaborado pelo próprio tribunal, com requisitos técnicos e de segurança detalhados.

“O Brasil não compra um modelo específico de urna de fabricantes. O processo de produção é do TSE. A urna também é um projeto do Tribunal Superior Eleitoral. E isso é muito diferente de outro país em que é um produto de prateleira”, explica o coordenador de Tecnologia Eleitoral do tribunal, Rafael Azevedo. Todas as etapas de aprovação do protótipo, fabricação e testes são auditadas e supervisionadas por servidores e técnicos a serviço do órgão.

Auditorias e código-fonte aberto
Para assegurar a soberania do voto, o sistema eleitoral é submetido a cerca de 40 etapas de fiscalização. O secretário de Tecnologia da Informação da corte, Júlio Valente, ressalta que o modelo brasileiro está entre os mais auditáveis do mundo. “Acima de qualquer argumento técnico, nenhum se sobrepõe ao fato de que não temos, desde 1996, nenhum caso comprovado de fraude nas urnas eletrônicas”, pontua Valente.

Uma das principais fases de verificação é o Teste Público de Segurança, realizado em anos sem eleições. O procedimento permite que qualquer cidadão brasileiro maior de 18 anos, incluindo pesquisadores, profissionais de tecnologia, órgãos públicos e universidades, tente identificar vulnerabilidades nos sistemas.

Se uma fragilidade for encontrada, a equipe técnica implementa correções e os investigadores retornam para verificar a solução antes do pleito. Até o momento, o teste já foi realizado oito vezes, resultando em melhorias contínuas. “O teste público democratiza a possibilidade de validar a segurança do processo eleitoral”, afirma o secretário.

Adicionalmente, um ano antes das eleições, ocorre a abertura do código-fonte para entidades como o Congresso Nacional, o Conselho Nacional de Justiça, o Tribunal de Contas da União, a Polícia Federal, partidos políticos e universidades brasileiras com departamentos de tecnologia. O código compreende as instruções de funcionamento dos programas.

“Não existe absolutamente nenhuma linha do código-fonte que seja escondida, secreta ou que não seja compartilhada com essas instituições”, garante Valente, reforçando o papel dessas entidades como agentes independentes de fiscalização.

Impasse diplomático com os Estados Unidos
O detalhamento da integridade do sistema ocorre após um recente incidente diplomático. No dia 25 de julho de 2026, o Itamaraty confirmou a recusa de vistos de entrada no Brasil a dois funcionários do governo norte-americano: o subsecretário do Departamento de Estado para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, e o subsecretário adjunto Samuel Samson.

O motivo da negativa foi o conhecimento prévio, por parte do governo brasileiro, do interesse do Departamento de Estado em enviar os funcionários para monitorar as urnas eletrônicas.

Uma reportagem do jornal The Washington Post indicou que a gestão do presidente Donald Trump pretendia enviar representantes ao Brasil para levantar dúvidas sobre o equipamento. O Departamento de Estado estadunidense negou que essa fosse a finalidade da missão.

Para esclarecer o funcionamento da urna eletrônica e a segurança do sistema de votação a toda a comunidade internacional, o Tribunal Superior Eleitoral agendou para o dia 17 de agosto uma segunda reunião com embaixadores, representantes diplomáticos e organismos internacionais em Brasília.

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