Sem acordo para o governo, PSD banca Sergio Meneguelli ao Senado em chapa independente – Em Dia ES

O Partido Social Democrático (PSD) definiu, em convenção realizada na quarta-feira (5), em um hotel de Vitória, que lançará o deputado estadual Sergio Meneguelli como candidato avulso ao Senado Federal.
A decisão de disputar a eleição com chapa pura ocorreu após semanas de negociações infrutíferas com os grupos políticos ligados a Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos), levando a sigla a decidir não coligar com nenhum dos candidatos ao governo do Espírito Santo.
Falta de espaço em alianças motiva candidatura independente
A possibilidade de lançar uma candidatura própria e independente ao Senado já vinha sendo defendida por Sergio Meneguelli, que se manteve irredutível e em nenhum momento cogitou disputar outro cargo.
O presidente estadual do PSD e prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, tentou até o último momento costurar uma aliança majoritária que abrigasse a indicação da médica e primeira-dama do município, Lívia Vasconcelos, para uma vaga de vice-governadora. O nome do ex-prefeito de Linhares, Guerino Zanon, também chegou a ser cogitado. Para ganhar tempo nessas articulações, a convenção do partido, originalmente marcada para o domingo (2), chegou a ser adiada.
As negociações exploraram duas frentes principais, mas esbarraram na falta de espaço para a candidatura de Meneguelli. Na chapa encabeçada por Ricardo Ferraço, o grupo já havia fechado a indicação de Camillo Neves (PP) para a vice, enquanto a vaga ao Senado estava reservada à ex-senadora Rose de Freitas, com chancela da executiva nacional do MDB. Na composição com Lorenzo Pazolini, a barreira foi a pré-candidatura de Evair de Melo (Republicanos) ao Senado, somada ao alinhamento prioritário construído com o PL de Magno Malta em favor da candidatura de Maguinha Malta.
Sem conseguir demover Meneguelli da disputa, e com o objetivo de resguardar o capital político do seu único representante na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, o PSD optou pelo recuo nas composições e confirmou a neutralidade na corrida governamental. Na visão do parlamentar, a isenção do partido facilitará futuras negociações do presidente da sigla com o governador eleito.
Repercussão na convenção e chapas proporcionais
O nome de Sergio Meneguelli foi aclamado pelos correligionários na convenção. Durante o evento, ele comemorou a decisão e relembrou as eleições de 2022, quando teve sua candidatura ao Senado retirada por seu então partido, o Republicanos. Naquela ocasião, lançou-se como deputado estadual e terminou o pleito como o mais votado do estado.
A primeira-dama Lívia Vasconcelos, que esteve cotada para a vice de Pazolini, esteve presente, mas optou por não discursar.
Com a decisão de não integrar coligações majoritárias, o PSD dedicou-se à formação de suas chapas proporcionais. A legenda lançou 9 candidatos a deputado federal e 18 a deputado estadual.
A direção do partido informou que esses números ainda podem aumentar, uma vez que a legislação eleitoral permite ajustes, substituições e formalizações até as 19 horas do dia 15 de agosto, data que marca o limite para o registro oficial das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Cenário aberto para a vice de Pazolini
A aliança entre o PSD e o Republicanos já estava fragilizada desde que a sigla presidida por Erick Musso decidiu migrar para o palanque do PL. Diante disso, o PSD passou a dialogar com outros pré-candidatos, como o deputado federal Helder Salomão (PT) e o próprio Ricardo Ferraço, antes de bater o martelo sobre a candidatura independente.
Com a saída oficial do PSD das negociações, a chapa liderada por Lorenzo Pazolini encerrou a quarta-feira sem o anúncio oficial de um vice. O cenário abre caminho para diferentes possibilidades nos bastidores políticos. Uma das opções é a formação de uma chapa pura, que poderia ser ocupada pelo próprio Erick Musso, responsável por conduzir as articulações com o PL e manter o controle do grupo.
Paralelamente, surge uma oportunidade de composição com o Partido Novo, liderado por Iuri Aguiar. A legenda considerava seguir isolada na disputa depois que o PL não garantiu apoio explícito a Leonardo Monjardim para a segunda vaga ao Senado.
Com o espaço aberto na chapa do Republicanos, as conversas entre o Novo e o grupo de Pazolini podem ser retomadas antes do fechamento das atas, enquanto os dirigentes partidários correm contra o tempo para definir a configuração final que disputará o Palácio Anchieta e as duas cadeiras do Senado.





