Guerino Zanon deixa o PSD após partido decidir por neutralidade na disputa pelo governo estadual – Em Dia ES

O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon confirmou a sua saída do Partido Social Democrático na noite desta quarta-feira, dia 5, logo após a convenção estadual da legenda. A decisão ocorre como consequência direta da escolha do partido de manter neutralidade na corrida pelo governo do Espírito Santo, contrariando a exigência de Zanon de que a sigla subisse no palanque de Lorenzo Pazolini, do partido Republicanos. Com a desfiliação, Zanon descarta disputar cargos públicos nestas eleições e passa a atuar exclusivamente na campanha do ex-prefeito de Vitória.
Na última segunda-feira (3), Guerino Zanon já havia avisado em entrevista que pediria a desfiliação imediata caso o PSD não declarasse apoio a Pazolini. A expectativa de que o partido aderisse à campanha do candidato do Republicanos se manteve durante a manhã de quarta-feira.
Nas negociações, existia até a possibilidade de o PSD indicar a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, para a vaga de candidata a vice-governadora. No entanto, ao fim da convenção partidária, a direção optou por não integrar a coligação, consolidando o cenário de neutralidade.
Motivações para a neutralidade partidária
A escolha do PSD foi articulada pelo presidente estadual da sigla, Renzo Vasconcelos, para viabilizar a candidatura isolada do deputado estadual Sérgio Meneguelli ao Senado Federal.
O ingresso na coligação de Lorenzo Pazolini impediria o lançamento de Meneguelli, uma vez que o palanque do ex-prefeito da capital já conta com dois candidatos ao mesmo posto, Evair de Melo, do Republicanos, e Maguinha Malta, do Partido Liberal. Não haveria espaço político para acomodar o deputado do PSD nesta chapa.
O mesmo obstáculo ocorreria caso a legenda decidisse integrar o grupo do governador Ricardo Ferraço, do Movimento Democrático Brasileiro.
A base do atual governo estadual também possui dois nomes definidos para a disputa ao Senado, Renato Casagrande, do Partido Socialista Brasileiro, e Rose de Freitas, do MDB. Diante desse cenário, a direção do PSD concluiu que não selar nenhuma aliança majoritária era a única saída para não sacrificar o projeto eleitoral do correligionário Meneguelli.
Logo após a deliberação do partido, Guerino Zanon publicou uma nota oficial para formalizar e justificar sua saída. No documento, o ex-prefeito relatou os motivos do rompimento, afirmando que “o que sempre me moveu na atividade partidária foi o interesse público e a lealdade aos meus princípios”.
Sobre a decisão atual, ele pontuou que “deixo o PSD porque as conversas feitas pela direção estadual e combinadas não foram confirmadas. Agradeço a todos pela confiança. Vamos seguindo para a vitória com Pazolini governador”.
Em entrevista coletiva concedida após o término da convenção, Renzo Vasconcelos declarou que as portas do partido continuam abertas para o ex-prefeito de Linhares, caso ele decida voltar atrás e concorrer aos cargos de deputado federal ou estadual. Contudo, Zanon reiterou o posicionamento de atuar apenas como cabo eleitoral.
Na mesma nota oficial de despedida, Zanon relembrou seu passado político para traçar um paralelo com a situação atual. Ele mencionou que foi filiado ao MDB por 22 anos, exercendo todas as suas oportunidades políticas pela sigla.
O político destacou que deixou o partido em 2022 por um motivo semelhante de discordância com o comando estadual.
De acordo com o documento, a direção do MDB na época não quis uma candidatura autêntica, preferindo apoiar o projeto de reeleição do Palácio Anchieta “em troca de favores e interesses pessoais”, o que motivou a sua filiação posterior ao PSD.
O que diz Guerino Zanon:
O que sempre me moveu na atividade partidária foi o interesse público e a lealdade aos meus princípios.
Por 22 anos fui filiado ao MDB. Todas as oportunidades que os linharenses e capixabas me proporcionaram foram exercidos como Mdebista. Deixei o partido em 2022 porque a direção estadual não queria uma candidatura autêntica. Preferiu apoiar o projeto de poder do Palacio Anchieta da reeleição em troca de favores e interesses pessoais.
Neste momento, mantendo os mesmos princípios, deixo o PSD porque as conversas feitas pela direção estadual e combinadas não foram confirmadas. Agradeço a todos pela confiança. Vamos seguindo para a vitória com Pazolini governador.





