Flávio Bolsonaro repete tática do pai e ataca urnas com mentiras já desmentidas pelo TSE – Em Dia ES

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) associou as urnas eletrônicas brasileiras à empresa venezuelana Smartmatic durante uma reunião com diplomata e representantes de mais de 40 países realizada na terça-feira (21), em Brasília. Ao citar um relatório do serviço de inteligência norte-americano sobre falhas eleitorais na Venezuela para solicitar o envio de observadores internacionais, o parlamentar voltou a colocar em dúvida a segurança do sistema de votação. Em resposta, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reiterou que a empresa citada nunca forneceu urnas ou softwares para as eleições do Brasil.
Associação com a Smartmatic e relatório da CIA
A declaração do senador ocorreu durante o evento “Debatendo o Brasil”, uma série de reuniões reservadas organizadas pela agência Novo Selo Comunicação em parceria com o veículo jornalístico The Brazilian Report. A plateia era composta por representantes de quase 50 países e organizações internacionais, incluindo cerca de 20 embaixadores.
Em sua fala, Flávio Bolsonaro citou documentos divulgados pelo governo dos Estados Unidos, incluindo relatórios da Central de Inteligência (CIA) referentes ao pleito de 2012 na Venezuela, para defender uma maior presença de missões estrangeiras de fiscalização no Brasil.
“Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, afirmou o senador aos diplomata presentes.
Em outro momento do discurso, o parlamentar complementou: “Há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela, inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação.”
Apesar das citações, Flávio declarou que não pretendia contestar a votação local. “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e como o Brasil pode dar ter eleições mais seguras e transparentes”, disse.
TSE nega fornecimento de urnas por empresa privada
Em nota oficial atualizada em 8 de julho de 2026 e reiterada após a repercussão do evento, o Tribunal Superior Eleitoral esclareceu que a Smartmatic nunca fabricou urnas eletrônicas nem desenvolveu programas de computador para o sistema eleitoral brasileiro.
Segundo a Justiça Eleitoral, todo o projeto, a programação, o desenvolvimento e a gestão da infraestrutura de votação são realizados inteiramente pelo próprio TSE. O tribunal destacou que o sistema opera de forma isolada, sem qualquer conexão com redes públicas ou com a internet, utilizando meios próprios e criptografados para a transmissão dos dados.
A corte detalhou que a atuação da Smartmatic no Brasil limitou-se, em ocasiões anteriores, a contratos para prestação de serviços de apoio operacional, conexão de dados e voz, além do treinamento de equipes de suporte técnico. O tribunal informou ainda que a empresa venezuelana chegou a disputar a licitação para a fabricação de urnas para o pleito de 2020, mas foi derrotada pela empresa Positivo.
A nota do TSE reforça que o sistema eletrônico de votação é submetido continuamente a testes públicos de segurança, auditorias e fiscalizações por órgãos externos há mais de duas décadas, sem nenhum registro de fraude ou manipulação na contagem dos votos.
Oposição decide não acionar a Justiça Eleitoral
O episódio gerou reações no cenário político devido às semelhanças com a reunião promovida em julho de 2022 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro com embaixadores no Palácio da Alvorada. Na ocasião, o então presidente fez acusações sem provas contra a lisura do processo eleitoral, o que resultou em sua condenação pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, tornando-o inelegível por oito anos, até 2030.
Durante o encontro da última terça-feira, Flávio Bolsonaro chegou a mencionar a situação do pai: “O ex-presidente Jair Bolsonaro, ele está inelegível após uma reunião com embaixadores. Alguém que tinha uma preocupação com a transparência e a segurança do nosso sistema eleitoral e apenas manifestava suas preocupações para que os embaixadores levassem esse cenário de preocupação para os seus países.”
Contudo, o Partido dos Trabalhadores (PT) comunicou que não pretende acionar o TSE para solicitar a inelegibilidade de Flávio Bolsonaro. O líder do partido na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que a oposição não pretende alimentar o discurso de perseguição política.
“Flávio, nós não vamos entrar no TSE para pedir sua inelegibilidade. É isso que você quer, né? Para se dizer perseguido, para ficar acusando. Nós vamos derrotar você e sua turma nas urnas”, declarou Lindbergh em vídeo publicado em redes sociais, sustentando que a fala do senador faria parte de uma contestação antecipada do resultado eleitoral.
Posição oficial da pré-campanha
Após o desdobramento do caso, a equipe de pré-campanha do senador divulgou uma nota oficial assinada por Flávio Bolsonaro, pelo senador Rogério Marinho (coordenador da pré-campanha) e pela advogada Maria Claudia Bucchianeri (coordenadora jurídica).
O documento afirma que o pré-candidato não colocou em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro e que sua manifestação se ateve a relatar o histórico relativo à inelegibilidade de Jair Bolsonaro e ao conteúdo do relatório norte-americano.
A nota sustenta que a fala foi retirada de contexto e que o objetivo principal foi incentivar a presença de missões internacionais de observação para ampliar a transparência do pleito. O texto conclui reafirmando a “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro” por parte da equipe do pré-candidato.





