Ricardo Ferraço anuncia o vereador Camillo Neves como candidato a vice-governador – Em Dia ES

O governador do Espírito Santo e candidato à reeleição, Ricardo Ferraço (MDB), anunciou na manhã desta terça-feira (4), por meio de suas redes sociais, o vereador de Vitória Camillo Neves (PP) como candidato a vice-governador em sua chapa.
A decisão atende a uma demanda da Federação União Progressista, formada pelos partidos União Brasil e Progressistas, selando a composição política para a disputa eleitoral no estado.
O anúncio oficial ocorreu em um vídeo no qual também foram confirmados a auditora de finanças públicas Juliani Nunes e o prefeito de Viana, Wanderson Bueno, como os responsáveis por coordenar o programa de governo.
No vídeo publicado na internet, o governador destacou a importância do diálogo para uma construção coletiva no Espírito Santo e apresentou Camillo Neves como atleta, formado em Educação Física, vereador da capital e responsável por um projeto social na Ilha de Santa Maria.
A equipe que coordenará o programa de governo atuará em conjunto. Wanderson Bueno é o atual prefeito de Viana, enquanto Juliani Nunes atua como auditora em finanças públicas e é servidora efetiva do Estado. Durante o anúncio, ambos afirmaram que a equipe está preparada para dar continuidade aos projetos estaduais, demonstrando alinhamento com a gestão atual.
A articulação política e a federação
A escolha de Camillo Neves consolida a participação da Federação União Progressista na aliança governista. O nome do parlamentar prevaleceu entre os indicados pelo grupo político, que tem como principais lideranças estaduais o presidente do União Brasil, Marcelo Santos, e o presidente do PP e da federação, Josias da Vitória.
A definição ocorreu após momentos de tensão na base aliada, motivados pela disputa pela vaga de vice. Um grupo ligado ao governador, incluindo os prefeitos Euclério Sampaio (MDB) e Enivaldo dos Anjos (PSB), chegou a defender o nome do ex-prefeito da Serra, Sérgio Vidigal (PDT), para o posto. No entanto, durante a convenção estadual do PDT no último sábado (1), Vidigal reiterou que não seria candidato.
A federação manteve a exigência da vaga de vice como condição para permanecer na coligação, o que garante à campanha de Ricardo Ferraço acesso a mais recursos financeiros, tempo de rádio e televisão, diretórios municipais e chapas proporcionais completas para a Assembleia e Câmara dos Deputados.
A formalização da candidatura de Camillo a vice-governador está marcada para a próxima quarta-feira (5), durante a convenção estadual da União Progressista.
Em entrevista concedida à Vitor Vogas, colunista de A Gazeta, Camillo Neves afirmou estar capacitado para o cargo. O vereador declarou que a escolha de seu nome demonstra confiança em seu trabalho e que a indicação contempla a cidade de Vitória, a região metropolitana e o Parlamento capixaba.
“Eu me sinto preparadíssimo, porque sempre digo que, em minha vida, aparecem oportunidades e a gente precisa estar pronto para que a gente consiga desenvolver o melhor papel, o melhor trabalho”, disse o vereador.
Ele também ressaltou que suas características políticas são a estabilidade e a discrição, destacando que nunca faz um movimento contrário aos aliados sem conversar primeiro.
“Sobre compor, o que tenho de concreto é que sou vereador de Vitória. Estou lisonjeado de o meu nome estar posto. Isso quer dizer que as pessoas confiam no meu trabalho, têm percebido o meu trabalho”, completou Camillo.
Com a licença de Camillo Neves para a disputa majoritária, a expectativa é que seu primeiro suplente, Gilsinho Passarinho, assuma a cadeira no legislativo municipal, como já ocorreu quando o titular disputou o mundial de futebol de areia.
Aos 34 anos, Camillo rejuvenesce a chapa encabeçada por Ricardo Ferraço, de 62 anos, e agrega representatividade geográfica da capital, uma vez que o atual governador tem sua base política mais conhecida no interior do Estado, especialmente em Cachoeiro de Itapemirim.
Trajetória no esporte e atuação na sociedade
Nascido em Vitória no dia 29 de agosto de 1991, Camillo Augusto Marchezi de Oliveira Neves cresceu no bairro Ilha de Santa Maria e possui raízes familiares diversas. É neto de um desembargador e filho de uma servidora pública aposentada da Caixa Econômica Federal e do advogado e músico Guto Neves, conhecido no cenário cultural por ter sido um dos primeiros contemplados pela Lei Rubem Braga.
Camillo chegou a cursar Direito na Faesa até o sétimo período, mas abandonou a graduação para se dedicar ao esporte, formando-se posteriormente em Educação Física pela Universidade Paulista (Unip).
Sua carreira esportiva começou aos sete anos de idade. Na adolescência, atuou nas categorias de base do Fluminense, no Rio de Janeiro. Aos 18 anos, retornou ao Espírito Santo e iniciou sua trajetória no FUT7, também conhecido como futebol society, modalidade pela qual conquistou 11 títulos e o bicampeonato mundial pela seleção brasileira.
O ex-atleta também registra passagens por clubes europeus de campo, como Espanyol, na Espanha, Benfica, em Portugal, e Udinese, na Itália.
No futebol de areia, Camillo atuou por cinco temporadas na Itália, passando quatro anos no clube Pisa e um ano no Catania. Devido à sua dupla nacionalidade e fluência no idioma italiano, defendeu a seleção da Itália de beach soccer na Copa do Mundo da Fifa, realizada em maio do ano passado em Seicheles, na África, quando a equipe foi eliminada nas quartas de final pelo Senegal. O Brasil foi o campeão do torneio.
No meio empresarial, Camillo é sócio da Casa Performance. Na área social, é o idealizador do Instituto Camillo Neves, projeto que atende mais de 600 pessoas na Ilha de Santa Maria com atividades como pilates, treinamento funcional, dança, futebol e lutas.
Apoio da comunidade esportiva
O histórico esportivo de Camillo gerou mobilizações políticas favoráveis à chapa. Na segunda-feira da semana passada, 27 de julho, centenas de lideranças esportivas, atletas, ex-atletas e dirigentes se reuniram no Clube de Regatas Álvares Cabral, em Vitória, para confirmar apoio à reeleição de Ricardo Ferraço.
No encontro, foi entregue uma carta assinada por federações e entidades do setor, declarando apoio à continuidade do atual projeto político e apresentando propostas prioritárias para o desenvolvimento do esporte capixaba. Os representantes presentes destacaram os investimentos realizados nos últimos anos em infraestrutura, inclusão social e programas de incentivo.
Caminho político até a chapa governista
A entrada de Camillo Neves na política ocorreu em 2016, quando disputou sua primeira eleição para vereador aos 24 anos pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).
Em 2020, tentou novamente pelo Partido Verde (PV), ficando como primeiro suplente. Sua eleição efetiva aconteceu na disputa de 2024, já pelo Progressistas (PP), quando obteve 2.278 votos e foi o décimo segundo candidato mais votado, inserido na coligação do prefeito reeleito Lorenzo Pazolini (Republicanos).
No seu primeiro ano de mandato, em 2025, Camillo integrou a base do prefeito em plenário. No entanto, o afastamento da gestão municipal ocorreu no início deste ano devido a divergências na eleição da Mesa Diretora da Câmara de Vitória.
O vereador foi um dos articuladores do movimento de parlamentares que defendia a eleição de Dalto Neves (SD) para a presidência da casa ainda no mês de agosto, contrariando o interesse do Executivo, que desejava adiar o pleito interno para o final do ano. A disputa chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu decisão favorável ao adiamento.
Sobre o caso, Camillo justificou sua postura alegando que não aceitaria intervenções abruptas na casa de leis. “Não vou negar para você que existe influência da prefeitura aqui na Câmara. Isso existe. Mas as coisas não podem ser feitas da maneira truculenta como foi. Não aceitamos carteirada”, declarou.
A ruptura no legislativo municipal coincidiu com o momento em que a Federação União Progressista declarou apoio oficial a Ricardo Ferraço para o governo estadual, em março. A partir de então, o vereador adotou uma posição independente na Câmara, distanciando-se de Pazolini e da prefeita Cris Samorini (PP) e passando a tecer críticas à administração municipal, em um movimento que, segundo o próprio parlamentar, chamou a atenção da base do governo estadual e culminou na sua atual indicação como candidato a vice-governador.





