Mais de 2,8 mil pessoas aguardam por transplante de órgãos no ES – Em Dia ES

A campanha de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos, conhecida como Setembro Verde, começa com 2.843 pacientes na fila de espera por um transplante no Espírito Santo. Segundo dados da Secretaria da Saúde, a maior demanda atual no estado é por córneas e rins.
Embora o número de cirurgias tenha aumentado no primeiro semestre de 2026, a recusa por parte das famílias ainda representa o principal desafio para as equipes médicas.
A fila de espera estadual reflete a urgência de pacientes que dependem da doação para obter uma nova oportunidade de vida. De acordo com a Central Estadual de Transplantes, 1.734 pessoas aguardam atualmente por um transplante de córnea.
A segunda maior demanda é pelo transplante renal, que concentra 1.036 pacientes. Os registros oficiais contabilizam ainda 64 pessoas à espera de um fígado e nove pacientes que precisam de um coração.
O transplante é considerado a última alternativa terapêutica, sendo indicado apenas quando todas as outras possibilidades de tratamento já foram disponibilizadas e a função do órgão está gravemente comprometida.
O objetivo principal das ações realizadas durante todo o mês é conscientizar a população sobre a importância de autorizar a doação.
No Espírito Santo, a recusa familiar ocorreu em 55% das 102 entrevistas realizadas durante o primeiro semestre de 2026. A legislação em vigor determina que a decisão final sobre a doação cabe à família, o que torna o diálogo essencial. A secretaria reforça que não é necessário registrar a vontade em documentos ou cartórios, bastando apenas que o doador comunique seu desejo aos parentes e amigos para facilitar o processo.
A coordenadora da central estadual, Maria Machado, explica que um único doador pode beneficiar até oito pessoas.
Quando uma família decide pela doação, está proporcionando uma nova oportunidade de vida, afirmou a coordenadora. A profissional também ressaltou que a recusa impacta diretamente aqueles que aguardam por um órgão para continuar vivendo.
“Quando dizemos ‘sim’ à doação, também estamos dizendo ‘sim’ à vida e à possibilidade de, um dia, precisarmos dessa mesma solidariedade. Se eu precisar estar nessa fila, também gostaria de encontrar alguém disposto a dizer ‘sim’ para mim”, concluiu Maria Machado.
Capacitação de profissionais da saúde
Para aprimorar a comunicação, a Central Estadual de Transplantes promoverá o 9º Simpósio Estadual das Equipes Hospitalares de Doação para Transplantes no dia 24 de setembro.
O encontro será voltado aos profissionais de saúde e ocorrerá no auditório da sede do Sebrae/ES, em Vitória, das 08 às 17h. A programação terá minicursos focados em comunicação e entrevista familiar, além de outras ações de capacitação apoiadas ao longo do mês.
Avanços nas doações e cirurgias
Os dados do primeiro semestre de 2026 mostram avanços na política estadual, especialmente no fortalecimento da captação de órgãos. O número de doadores elegíveis passou de 97, no primeiro semestre de 2025, para 105 em 2026. As entrevistas familiares cresceram de 88 para 102, resultando em um aumento nas doações efetivas, que passaram de 35 para 38.
O estado registrou também crescimento no transplante de órgãos sólidos. O total passou de 72 procedimentos no primeiro semestre de 2025 para 112 em 2026. O transplante renal com doador falecido saltou de 26 para 59 procedimentos, enquanto os transplantes de fígado aumentaram de 27 para 34 no mesmo período.
Considerando o intervalo específico de janeiro a julho, a taxa de crescimento de transplantes de órgãos sólidos chegou a 44% em 2026, mas os dados do mesmo período apontam que a recusa familiar alcançou 59%. No caso das córneas e escleras, os números do quadrimestre revelam uma redução de 27% na taxa de transplantes em relação ao ano anterior.





