Saúde

Pesquisa da Ufes revela que dieta anti-inflamatória reduz em 25% o risco de depressão – Em Dia ES

Um estudo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) identificou que os padrões alimentares estão diretamente associados ao diagnóstico de depressão em adultos. A pesquisa analisou dados de 7.617 brasileiros de todas as regiões do país coletados entre os anos de 2016 e 2022. Os resultados apontam que o consumo de uma dieta anti-inflamatória pode reduzir a probabilidade do transtorno em cerca de 25%.

O trabalho foi conduzido pelo pesquisador João Vitor dos Santos, durante seu mestrado, sob a orientação do professor José Luiz Rocha. A investigação utilizou informações do projeto Coorte de Universidades de Minas Gerais Plus (Cume+).

Do total de participantes avaliados, 67,9% eram do sexo feminino e 32,1% do sexo masculino. Os dados mostram que 13,2% dos indivíduos relataram ter diagnóstico prévio de depressão. Este índice é considerado semelhante ao observado em outras pesquisas nacionais sobre o tema.

A partir da aplicação de métodos estatísticos, os cientistas delimitaram dois perfis principais de consumo nutricional na população analisada. O primeiro padrão, marcado pela ingestão predominante de alimentos de origem animal, demonstrou associação com maiores chances de desenvolvimento da doença.

Em contrapartida, o segundo padrão alimentar identificado foi classificado como anti-inflamatório. Este perfil inclui o consumo frequente de frutas, verduras, oleaginosas e grãos integrais. Alimentos como abacate, castanhas, aveia, legumes e hortaliças compõem este grupo, que demonstrou efeito protetor sobre a saúde mental dos participantes.

O padrão dietético protetor também engloba a ingestão de minerais como o selênio e de gorduras consideradas saudáveis. Entre essas gorduras estão os lipídios, os ácidos graxos poli-insaturados, os ácidos graxos monoinsaturados e os compostos ômega-3 e ômega-6. Estes nutrientes são reconhecidos por sua atuação no funcionamento adequado do sistema nervoso.

Os pesquisadores explicam que dietas ricas em compostos antioxidantes e anti-inflamatórios auxiliam na proteção mental. Por outro lado, perfis alimentares com maior potencial inflamatório favorecem o surgimento do quadro depressivo no organismo.

O autor da pesquisa, João Vitor dos Santos, detalha a importância de se observar a rotina alimentar de forma ampla, englobando todas as refeições do paciente. “Os resultados reforçam a ideia de que a alimentação deve ser analisada como um conjunto, e não apenas por nutrientes isolados”, afirma o pesquisador.

A eficácia do padrão anti-inflamatório na proteção contra a depressão foi verificada inclusive em grupos vulneráveis. O efeito preventivo se manteve presente em mulheres, pessoas com excesso de peso e indivíduos sedentários. Esse dado sugere que a nutrição funciona como uma estratégia complementar de cuidado, mesmo com a presença de outros fatores de risco.

O professor José Luiz Rocha ressalta que o estudo não estabelece uma relação direta e exclusiva de causa e efeito, mas abre caminhos estruturais para novas investigações clínicas. “Os achados reforçam o papel da promoção de uma alimentação saudável como estratégia potencial na prevenção e no manejo da depressão”, declara o orientador do trabalho.

A pesquisa produzida na universidade capixaba obteve repercussão internacional. O trabalho foi divulgado em formato de artigo científico e publicado na Revista Internacional de Ciências Alimentares e Nutrição, além de constar no site Revista Universidade, mantido pela própria Ufes.

O que é o projeto Cume+
A base de dados utilizada na pesquisa, o projeto Cume+, é um estudo longitudinal classificado como coorte aberta. Esse modelo de investigação científica se caracteriza por permitir que os participantes entrem ou saiam do grupo de acompanhamento de maneira flexível ao longo dos anos.

A iniciativa começou no ano de 2016 acompanhando exclusivamente os egressos de universidades federais do estado de Minas Gerais. O projeto cresceu e expandiu seu banco de dados para outras regiões do país.

A Ufes integrou oficialmente o projeto em 2023. No mesmo ano, ex-alunos de universidades localizadas nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul também passaram a fazer parte do público avaliado pela pesquisa.

O objetivo central do projeto Cume+ é avaliar os impactos da transição nutricional brasileira e dos diferentes padrões alimentares na saúde da população. A partir desse monitoramento de longo prazo, os pesquisadores buscam compreender a ocorrência de diversas doenças crônicas não transmissíveis no Brasil.

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