Política

Erika Hilton aciona MPF para proibir comentaristas esportivos de fazerem propaganda de bets

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Ministério Público Federal (MPF) nesta terça-feira (23) para solicitar que a Justiça proíba a publicidade de plataformas de apostas feita por comentaristas durante as transmissões de eventos esportivos. Por meio de um documento oficial, a parlamentar argumenta que esses profissionais utilizam a credibilidade construída junto ao público para incentivar o telespectador a apostar em tempo real. A iniciativa tem o objetivo de frear a prática de recomendação de palpites e divulgação de cotações financeiras, cobrando regras mais rígidas e transparência na separação entre análise técnica e ação comercial.

Segundo o pedido apresentado ao MPF, o problema central está na utilização da autoridade de profissionais do esporte para promover plataformas diante de uma audiência de milhões de pessoas. A prática questionada inclui a divulgação das chamadas “odds”, que são as cotações utilizadas pelas empresas do setor para indicar o possível retorno financeiro de uma aposta vencedora. Para a deputada, parte do público não consegue perceber com clareza quando uma fala é uma opinião esportiva ou uma peça de publicidade.

Em suas redes sociais, Erika Hilton criticou de forma direta a abordagem atual. “É inaceitável um comentarista usar a sua posição de ‘especialista’ para induzir os telespectadores a apostarem”, declarou a parlamentar em publicação no X. A deputada acrescentou que considera inaceitável a sugestão de apostas em resultados improváveis com a promessa de dinheiro fácil. “Bet não é esporte. É jogo de azar, é vício, é empobrecimento, é endividamento e é uma causa de suicídio”, afirmou.

No documento encaminhado ao órgão federal, não foram citados nomes específicos de comentaristas, emissoras de televisão ou empresas do ramo. O foco da ação recai exclusivamente sobre o formato da promoção comercial inserida nos eventos ao vivo e a necessidade de que os conteúdos sejam devidamente sinalizados aos telespectadores.

Críticas à cobertura da Copa do Mundo ampliam a discussão
O pedido judicial ocorre em meio ao avanço geral do mercado de plataformas de apostas no Brasil e acompanha um momento de fortes críticas de telespectadores e analistas de mídia em relação à Copa do Mundo FIFA 2026. A discussão central sobre a dificuldade de separar o jornalismo do entretenimento publicitário ganhou força com a atual cobertura da CazéTV.

O canal digital comandado por Casimiro Miguel exibe gratuitamente todos os 104 jogos do Mundial no Brasil, consolidando-se como uma das principais plataformas do torneio. No entanto, as queixas concentram-se na grande quantidade de inserções publicitárias de casas de apostas. O volume é notável especialmente nos intervalos comerciais e em ações que se misturam ao próprio ambiente da transmissão.

A CazéTV combina um modelo de amplo alcance digital, linguagem informal e interação em tempo real com o patrocínio de marcas do setor. Essa união reacendeu o debate sobre os limites das casas de apostas em transmissões esportivas e ilustra o mesmo questionamento levado ao MPF: a confusão gerada para o público entre o acompanhamento técnico da partida e o incentivo direto aos jogos de azar.

Histórico de votação no Congresso Nacional
Apesar da atual ofensiva contra a publicidade de comentaristas esportivos, Erika Hilton teve participação direta na legalização das plataformas no país. A deputada votou a favor do projeto que regulamentou as apostas esportivas de cota fixa no Brasil.

O texto validado com o voto da congressista foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2023. A legislação estabeleceu as regras em vigor para a operação do setor em território nacional, o que incluiu exigências burocráticas de licenciamento, diretrizes de tributação para as empresas e medidas direcionadas ao combate à manipulação de resultados no esporte.

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