Política

Em queda nas pesquisas, Flávio Bolsonaro busca vice mulher e Eduardo sugere Júlia Zanatta

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu publicamente, na quarta-feira (10), a viabilidade do nome da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) para compor, como vice, a chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República. A sugestão foi feita por meio de uma publicação na rede social X (antigo Twitter), na qual o ex-parlamentar afirmou que a deputada reúne os atributos necessários para a posição. A manifestação ocorre em um cenário de articulações internas do bloco político e de oscilações em pesquisas eleitorais.

Justificativa e respostas sobre a indicação
Na publicação realizada na quarta-feira, Eduardo Bolsonaro argumentou que a indicação se apoia na atuação e no alinhamento político da deputada catarinense. “Se os maus reclamam, este é o caminho. Certamente a deputada Júlia Zanatta está à altura do cargo, basta ver sua lealdade, pautas que muito bem defende no Congresso e, claro, o esperneio da esquerda”, escreveu.

Ao responder à postagem no perfil do ex-deputado, Júlia Zanatta declarou que “o negócio tá tomando corpo” e republicou o conteúdo em sua conta pessoal. Posteriormente, a deputada manifestou-se sobre o reconhecimento, estabelecendo sua prioridade atual no Legislativo. “Meu foco continua sendo o mandato que os catarinenses me confiaram, mas recebo a manifestação com gratidão e responsabilidade”, disse Zanatta à CNN Brasil.

Preferência por vice feminina e outras articulações
A indicação de Júlia Zanatta por apoiadores bolsonaristas ganhou tração após declarações de Flávio Bolsonaro na segunda-feira (8), durante um evento voltado ao público feminino em São Paulo, onde reforçou a intenção de ter, preferencialmente, uma mulher na composição de sua chapa. Essa diretriz já havia sido sinalizada pelo senador em abril, em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, quando mencionou que o momento após o fechamento das janelas partidárias seria o ideal para avaliar nomes, embora considerasse que ainda há tempo para as definições.

Além de Zanatta, o bloco partidário avalia outras opções femininas para a vaga de vice:

  • Tereza Cristina (PP-MS): A senadora e ex-ministra foi classificada por Flávio Bolsonaro como um “sonho de consumo” e apontada pela Coluna do Estadão como o nome mais forte inicialmente. Apesar de se declarar honrada, Tereza Cristina afirmou que a proposta não faz parte de seus projetos atuais.
  • Simone Marquetto (PP-SP): O Progressistas (PP) intensificou as conversas com o Partido Liberal (PL) para emplacar a deputada federal, que tem ligações com o Frei Gilson e representatividade no segmento católico do Congresso. Flávio Bolsonaro chegou a se reunir formalmente com a parlamentar.
  • Clarissa Tércio (PP-PE): A deputada federal, que cumpre seu primeiro mandato e se posiciona como defensora do ex-presidente Jair Bolsonaro, também entrou no rol de nomes ventilados.
  • Priscilla Costa (PL-CE): A vereadora de Fortaleza é cotada nos bastidores como uma alternativa capaz de estabelecer uma ponte política direta entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Cenário eleitoral e desgaste em pesquisas
As movimentações para a escolha da vice ocorrem simultaneamente à divulgação da pesquisa Genial/Quaest na quarta-feira (10), que indicou uma variação nos índices de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial. No levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oscilou dois pontos porcentuais para cima em relação à rodada de maio, passando de 42% para 44%. No mesmo período, Flávio Bolsonaro registrou oscilação negativa de três pontos, caindo de 41% para 38%.

O resultado atual aponta uma distância de seis pontos porcentuais a favor do atual presidente, configurando um afastamento do cenário de empate técnico anterior, que se baseava na margem de erro de dois pontos porcentuais do instituto.

Os dados da pesquisa Genial/Quaest também mediram a percepção pública sobre o impacto do chamado Caso Master na imagem do pré-candidato do PL. Conforme o levantamento, seis em cada dez brasileiros entrevistados declararam avaliar que o senador tinha conhecimento do envolvimento de Daniel Vorcaro em práticas de corrupção, que errou ao solicitar recursos financeiros ao empresário e que pode omitir informações sobre um envolvimento ilegal no escândalo financeiro, apontado como o principal fator para a retração do parlamentar nos índices de intenção de voto.

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