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Abertura do Cais das Artes em Vitória coloca o Espírito Santo no mapa cultural do Brasil

O Governo do Estado deu início, nesta quinta-feira (29), à Temporada de Abertura do Cais das Artes, na Enseada do Suá, em Vitória, com uma série de atividades culturais e apresentações musicais. O evento, que marca a primeira etapa de ocupação do complexo, contou com shows da cantora Vanessa da Mata, da DJ Negana e uma apresentação da banda Casaca, que recebeu convidados como André Prando, Juana Zanchetta, Mary Di e Diego Lyra.

A programação, denominada “Sons do Cais”, tem como objetivo promover uma ocupação progressiva do espaço, aproximando a população do novo equipamento público. A fase atual contempla a abertura da Praça do Cais, que receberá uma agenda diversificada nos próximos meses para incentivar a circulação e o vínculo do público com o local. O cronograma estabelecido prevê, na sequência, a abertura do Museu para as primeiras exposições e, posteriormente, a entrega final do complexo com a inauguração do teatro.

Durante o evento, o governador Renato Casagrande ressaltou o caráter histórico da iniciativa e detalhou o andamento das obras restantes.

“Estamos vivendo um momento histórico. Este é o primeiro show, a primeira atividade cultural do Cais das Artes. Começamos pela Praça, mas o museu já está praticamente pronto para receber exposições, e no segundo semestre vamos entregar o teatro, com capacidade para 1.300 pessoas. É um equipamento que coloca o Espírito Santo no roteiro cultural nacional e internacional. Não existe Estado forte sem cultura. A cultura é instrumento de paz, de identidade e de desenvolvimento”, afirmou Casagrande.

O secretário de Estado da Cultura, Fabricio Noronha, também comentou sobre o simbolismo do evento. “Marcando o início dessa programação, o Sons do Cais, recebendo Vanessa da Mata, Casaca e tantos artistas capixabas, foi o primeiro grande evento aberto ao público da Temporada de Abertura. Um convite para celebrar a música, o encontro e a paisagem à beira-mar, com shows, experiências criativas e um clima de festa que inaugura uma nova fase do Cais”, disse o secretário.

Arquitetura e legado
Localizado em uma área total de cerca de 30 mil metros quadrados, o Cais das Artes é um complexo que integra museu, praça pública e teatro. A obra é gerida pelo Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) e foi concebida para funcionar como um centro de arte, educação e convivência.

O projeto arquitetônico é assinado por Paulo Mendes da Rocha (1928–2021), vencedor do Prêmio Pritzker em 2006 e um dos nomes mais relevantes da arquitetura mundial. Concebido originalmente em 2007, o Cais das Artes representa a última obra do arquiteto a entrar em funcionamento. O projeto reflete características do brutalismo e a preocupação com a dimensão pública e urbana, traços marcantes da carreira de Mendes da Rocha, autor de obras como o Museu Brasileiro da Escultura (MuBE), em São Paulo.

O escritório Metro Arquitetos participou do desenvolvimento desde a concepção inicial, sob a liderança dos sócios Gustavo Cedroni e Martin Corullon, em coautoria com Mendes da Rocha. A equipe contou ainda com a arquiteta Anna Ferrari. Após o falecimento de Paulo Mendes da Rocha em 2021, o Metro Arquitetos assumiu a condução integral do trabalho, mantendo a fidelidade ao projeto original.

Gestão e futuras exposições
Para a administração e programação do espaço, foi anunciada em 2025 uma parceria entre a Secretaria da Cultura (Secult), a Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) e a Fundação Roberto Marinho. A Fundação ficará responsável pelas atividades formativas e educacionais do complexo.

Com o início da gestão da OEI, já está em andamento a preparação para a primeira grande mostra a ocupar o Museu do Cais das Artes: a exposição “Amazônia”, do fotógrafo Sebastião Salgado.

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