Saúde

Anvisa suspende produção de Omo e Comfort em fábrica da Unilever por falha no controle de água – Em Dia ES

A fabricação de produtos de limpeza na unidade da Unilever em Vinhedo, no interior de São Paulo, foi suspensa preventivamente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A decisão, publicada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (2), afeta diretamente as linhas de sabão líquido para lavar roupas e amaciante após uma inspeção apontar falhas operacionais.

A unidade paulista é responsável por produzir itens líquidos de marcas de grande circulação da multinacional no Brasil, como os sabões Omo e os amaciantes Comfort. Outras marcas do portfólio da companhia incluem a linha de limpeza pesada Cif e produtos de higiene e alimentos, como Dove, Seda, Rexona, Hellmann’s e Knorr.

A vistoria no parque industrial foi realizada entre os dias 24 e 28 de agosto, em uma operação que envolveu equipes da própria Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Sanitária do Município de Vinhedo.

De acordo com o órgão federal, a empresa descumpriu a Resolução-RDC nº 47 de 2013. A norma estabelece as diretrizes de Boas Práticas de Fabricação (BPF), regras que garantem controles adequados de qualidade e segurança na produção de saneantes.

Irregularidades encontradas
A fiscalização mapeou inconsistências técnicas recorrentes na fábrica. Entre os principais problemas estão falhas nos controles aplicados durante o processo de fabricação e na fase de checagem final que antecede a liberação dos produtos para o mercado.

As equipes de vigilância também identificaram deficiências no monitoramento da qualidade da água utilizada na formulação e no envasamento do processo produtivo.

Outro ponto alertado pela agência foi a fragilidade no sistema interno da empresa para a investigação e a correção de falhas que já haviam sido detectadas previamente pela própria fabricante.

Sem necessidade de recolhimento
Apesar da interrupção na linha de montagem, a Anvisa esclareceu que a determinação tem caráter estritamente preventivo. A avaliação das evidências colhidas não indicou nenhuma contaminação microbiológica ou riscos iminentes nos lotes que já foram produzidos na unidade.

Por esse motivo, não houve determinação para a suspensão da comercialização, da distribuição ou do uso das mercadorias. Os itens que já estão disponíveis nas prateleiras do varejo ou nas residências dos consumidores seguem liberados e seguros, sem exigência de recolhimento.

A ordem de paralisação afeta apenas a fabricação de novos produtos e permanecerá em vigor até que todas as irregularidades sejam avaliadas e as correções necessárias sejam implementadas pela companhia.

Posicionamento da empresa
Em nota oficial, a Unilever confirmou o recebimento da equipe da Anvisa em sua fábrica de produtos de cuidados com a casa. A gigante de bens de consumo afirmou que considera os apontamentos uma parte importante para a evolução contínua de seus processos produtivos e de todo o setor.

“Por determinação da Anvisa, de forma preventiva, as linhas de fabricação destes produtos foram temporariamente suspensas para implementação das melhorias operacionais requeridas. Todas as ações foram prontamente iniciadas e já estão sendo implementadas. As demais linhas de produção da unidade seguem operando normalmente”, declarou a companhia.

A fabricante reiterou que atua em colaboração com a agência reguladora e reafirmou seu compromisso inegociável com o rigor de seus padrões de qualidade mantidos ao longo de seus 96 anos de atuação no Brasil, destacando a segurança dos consumidores como prioridade absoluta.

Operação em grandes indústrias
A fiscalização na Unilever integra um plano de varredura contínua em indústrias de saneantes no país, categoria que engloba produtos destinados à limpeza, desinfecção e conservação de ambientes.

Segundo a Anvisa, sete inspeções desse tipo já foram realizadas em 2026, alcançando quatro das maiores fabricantes brasileiras do setor para reduzir os riscos sanitários aos consumidores.

Um dos alvos anteriores dessa mesma operação foi a Ypê, marca pertencente à Química Amparo. Em abril deste ano, a agência interrompeu a fabricação, a venda e o consumo de 24 produtos da empresa devido a problemas de adequação produtiva.

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