Saúde

Pesquisa da Ufes identifica variantes genéticas que podem favorecer o desenvolvimento da covid longa – Em Dia ES

Um estudo conduzido pelo Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Universidade Federal do Espírito Santo identificou cinco variantes genéticas associadas ao desenvolvimento da covid longa.

A pesquisa, publicada na revista científica Frontiers in Medicine, analisou o DNA de 312 pacientes atendidos em dois hospitais públicos de Vitória, entre novembro de 2020 e julho de 2023, para compreender os mecanismos que tornam alguns indivíduos mais suscetíveis aos sintomas prolongados da doença.

Os pesquisadores realizaram o sequenciamento do exoma dos pacientes infectados pelo vírus SARS-CoV-2 e utilizaram técnicas de aprendizado de máquina para comparar os dados daqueles que desenvolveram sintomas persistentes com os que se recuperaram totalmente.

A partir da avaliação de mais de 650 mil variantes genéticas, a equipe constatou que alterações nos genes LERFS, PNKD e LIPA aumentam o risco da covid longa, enquanto as variantes presentes nos genes HK1 e LAMB4 demonstram um efeito protetor.

O trabalho contou com a autoria dos professores Débora Meira e Iúri Drumond, além de estudantes do programa de pós-graduação.

A investigação foi realizada em colaboração com a Fundação Oswaldo Cruz, o Instituto Nacional de Cardiologia, o Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo e o Instituto Federal de Pernambuco.

Interação de múltiplas vias
Durante a análise, os cientistas também identificaram um conjunto de genes envolvidos em processos biológicos ligados a outros fatores.

O achado sugere que o quadro prolongado resulta da interação de diversas vias biológicas e elementos clínicos, e não da ação isolada de um único gene, evidenciando a complexidade da resposta do organismo ao vírus.

A covid longa se consolida como um desafio para a saúde pública, afetando pacientes com sintomas como fadiga, dor, alterações cognitivas, perda do olfato e disfunções no sistema nervoso autônomo por meses ou até anos.

O levantamento evidenciou que os indivíduos diagnosticados com a síndrome apresentam uma piora significativa na qualidade de vida, com relatos frequentes de dores, ansiedade e depressão, reforçando as consequências da doença nas saúdes física e mental.

A professora Débora Meira destaca que a integração entre o sequenciamento de DNA de nova geração e o uso da inteligência artificial viabiliza a identificação de assinaturas genéticas, o que ajuda a justificar a ampla variabilidade clínica observada entre os infectados.

Para o professor Iúri Drumond, o trabalho estabelece uma base científica para a condução de futuras estratégias de saúde pública. Embora a validação dos mecanismos biológicos demande novos estudos funcionais, os resultados atuais permitem o planejamento da estratificação de risco, a identificação precoce de pacientes mais vulneráveis e a formulação de novas abordagens terapêuticas focadas na síndrome.

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