Festa em Jaguaré celebra 80 anos de colonização italiana com tradição e tombo da polenta – Em Dia ES

A cidade de Jaguaré, localizada no Norte do Espírito Santo, sedia entre os dias 2 e 8 de agosto a 14ª Semana Cultural Italiana. Organizada pela Associação do Movimento Italiano em Jaguaré, a Amitaj, com o apoio da prefeitura municipal, a festividade marca os 80 anos do início do povoamento da região por famílias de origem italiana.
A programação inclui gastronomia típica, o tradicional Tombo da Polenta e a Tratorella, com o objetivo de preservar as raízes culturais, a história local e as tradições dos imigrantes.
Com o tema “Nato in Brasile con origini italiane”, que significa Nascido no Brasil com raízes italianas, o evento reúne apresentações musicais e de dança, além de atividades educativas e comunitárias. A programação conta com oficinas de receitas culinárias voltadas para alunos da rede pública de ensino, a eleição da Realeza da Amitaj nas categorias Infantil, Juvenil e Nonna, e um concurso focado no comércio da cidade para escolher a vitrine mais bem decorada. A edição também trará a estreia de um novo grupo de dança típica.
História da colonização e o marco de oito décadas
A realização da festividade em 2026 coincide com o aniversário de 80 anos da chegada das primeiras famílias à área onde atualmente está situado o município de Jaguaré.
Os registros históricos indicam que os pioneiros se estabeleceram na região em 1946, oriundos do Sul do estado. A maioria dessas famílias migrou do distrito de Jaciguá, que naquela época pertencia a Cachoeiro de Itapemirim e hoje integra o município de Vargem Alta.
A migração em direção ao Norte capixaba ocorreu durante a década de 1940 sob o incentivo do Governo do Estado. A área já abrigava populações indígenas e migrantes de outros estados, mas a chegada dos colonos italianos funcionou como um motor para o desenvolvimento econômico local.
Ao se instalarem, os recém-chegados encontraram um relevo de solos planos favorável ao cultivo agrícola. Contudo, tiveram que lidar com o desbravamento da vegetação nativa.
Documentos preservados no acervo da Casa da Memória de Jaguaré, espaço dedicado à conservação de utensílios, objetos pessoais e registros fotográficos da época, apontam que os colonizadores enfrentaram condições adversas de ocupação no período, o que incluía o enfrentamento a animais silvestres.
A transformação geográfica e a base cultural do município foram registradas pelo professor e historiador Renato José Costa Pacheco no prefácio do livro “Jaguaré: das origens à contemporaneidade, resgate do cotidiano de um povo”, obra de autoria de Regina Aurich, José Lino Galvão e Rogério Caliari. No texto, Pacheco define a transição dos imigrantes ao afirmar: “O norte plano é o mundo novo de filhos de vênetos e trentinos das montanhas.”
Homenagens e a manutenção da memória
Para garantir a preservação do legado dos pioneiros, a agenda da Semana Cultural mantém a tradição de homenagear famílias de descendentes a cada edição.
O evento escolhe anualmente três diferentes núcleos familiares que contribuíram para a formação da cidade. No ano passado, o reconhecimento público foi concedido aos representantes das famílias Altoé, Cocco e Sossai.





