Espírito Santo confirma segundo caso de Mpox em 2026 e já soma 44 notificações

A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) confirmou, nesta terça-feira (10), o segundo caso de Mpox no estado no ano de 2026. O paciente mais recente é um homem, residente no município da Serra, na Grande Vitória. O cenário estadual acompanha os dados do Ministério da Saúde, divulgados na segunda-feira (9), que apontam 140 infecções confirmadas no Brasil desde o início do ano.
Cenário epidemiológico no Espírito Santo
O novo boletim epidemiológico divulgado pela Coordenação Estadual de IST/AIDS/Hepatites Virais engloba o período da Semana Epidemiológica (SE) 01 à SE 10 de 2026. O documento detalha que o estado já contabiliza 44 notificações suspeitas da doença.
- Confirmados: 2 casos.
- Descartados: 30 casos.
- Suspeitos (em investigação): 6 casos.
- Perda de segmento: 6 casos.
O pico de notificações da doença no estado neste ano ocorreu durante a semana epidemiológica 08, com 14 registros. O primeiro caso confirmado no Espírito Santo em 2026 havia sido diagnosticado em um morador de Colatina, na região Noroeste, durante a semana epidemiológica 02. Já o segundo caso, na Serra, foi registrado na semana epidemiológica 10.
Perfil dos pacientes e sintomas
Os dados demográficos e clínicos apontam que ambos os infectados no estado são do sexo masculino. O mapeamento por faixa etária indica que um paciente tem entre 20 e 29 anos e o outro, entre 40 e 49 anos.
Sobre a origem do contágio, 50% dos casos confirmados relataram contato prévio com um caso suspeito, provável ou confirmado. Na outra metade dos registros, essa informação consta como ignorada no sistema.
O quadro clínico documentado pela vigilância em saúde revela os seguintes sintomas nos pacientes capixabas:
- Apresentados por ambos (2 casos): Febre súbita, erupção cutânea, astenia (fraqueza), dor de garganta, dor muscular e suor/calafrios.
- Apresentados por apenas um paciente (1 caso): Cefaleia (dor de cabeça), adenomegalia (ínguas) e artralgia (dor nas articulações).
Panorama nacional
No âmbito nacional, o Ministério da Saúde atualizou os números, confirmando 140 casos de Mpox em todo o país em 2026, sem nenhum registro de morte decorrente da infecção. A rede pública de saúde ainda monitora 539 casos suspeitos e 9 casos prováveis.
A evolução nacional aponta que, em janeiro, os casos confirmados e prováveis somaram 68; em fevereiro, foram 70; e nos primeiros dias de março, 11 ocorrências. São Paulo é o estado com maior incidência da doença, somando 93 registros. Em seguida, aparecem Rio de Janeiro (18) e Rondônia (11).
Transmissão e cuidados
A Mpox é uma doença zoonótica causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus. Embora possa ser transmitida por animais silvestres, o contágio atual ocorre predominantemente entre humanos, exigindo contato direto e próximo. especialmente pele a pele.
A transmissão se dá pelo contato com lesões, fluidos corporais (como pus ou sangue das feridas) e secreções respiratórias em interações prolongadas. O compartilhamento de objetos contaminados, a exemplo de toalhas e lençóis, também é um fator de risco. Especialistas reforçam que o vírus não se propaga de forma ampla pelo ar.
O período de incubação varia de três a 16 dias após a exposição, podendo alcançar 21 dias. As lesões de pele evoluem de manchas para bolhas com líquido até se tornarem crostas. O paciente segue transmitindo o vírus até a completa cicatrização da pele.
O diagnóstico é laboratorial e, como não há medicamento específico amplamente disponível, o tratamento foca no alívio dos sintomas. A infecção apresenta, na maioria das vezes, evolução de leve a moderada, durando entre duas e quatro semanas.
Prevenção e vacinação
Qualquer pessoa exposta ao vírus pode contrair a doença. A orientação principal é buscar uma unidade de saúde ao primeiro sinal de sintomas compatíveis e relatar o contato com casos suspeitos ou confirmados, evitando o contato com terceiros até o fim da avaliação médica.
A vacinação contra a Mpox é ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e direcionada apenas a grupos específicos com alto risco de agravamento. O público-alvo inclui:
- Pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão (CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses), com foco em homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais a partir de 18 anos.
- Profissionais de laboratório que lidam diretamente com o Orthopoxvírus.
- Pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com infectados, após avaliação e indicação da vigilância epidemiológica.





