ES confirma terceiro caso de Mpox em 2026 e Estado soma 50 notificações

A Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) confirmou, por meio de boletim epidemiológico atualizado na segunda-feira (16), o terceiro caso de Mpox no estado em 2026. O novo diagnóstico refere-se a um paciente do sexo masculino residente em Cachoeiro de Itapemirim, município da região Sul capixaba. Até o momento, o sistema de saúde estadual contabiliza 50 notificações da doença, das quais 42 foram descartadas, e duas permanecem em investigação como suspeitas. Houve também a perda de seguimento em três notificações.
Perfil dos pacientes e distribuição geográfica
De acordo com os dados estaduais, além do registro em Cachoeiro de Itapemirim, os outros dois casos confirmados são de moradores dos municípios de Colatina e Serra. O perfil epidemiológico indica que todos os três infectados são homens, sem ocorrências confirmadas no sexo feminino até o período analisado. A faixa etária dos pacientes está distribuída individualmente em três grupos: um caso de 20 a 29 anos, um de 30 a 39 anos e um de 40 a 49 anos.
A investigação epidemiológica também apontou o histórico de exposição dos pacientes. O boletim mostra que 33% dos casos confirmados relataram ter tido contato com algum caso suspeito, provável ou confirmado da doença. Na maior parte das ocorrências (67%), essa informação constou como ignorada no registro. Em âmbito nacional, o Brasil soma 149 notificações, sendo 140 casos já confirmados em laboratório e nove em fase de análise.
Quadro clínico
O documento da Sesa detalhou a manifestação clínica nos três pacientes capixabas confirmados. A febre súbita e o aparecimento de erupção cutânea foram os únicos sintomas presentes em todos os infectados.
Outros sinais relatados incluíram astenia (fraqueza), dor de garganta, dor muscular e suor ou calafrios, cada um acometendo dois pacientes. Adicionalmente, episódios de cefaleia (dor de cabeça), adenomegalia (ínguas) e artralgia (dor nas articulações) foram registrados em um paciente cada.
Transmissão, diagnóstico e tratamento
A Mpox é uma zoonose causada pelo vírus MPXV, integrante do gênero Orthopoxvirus e da família Poxviridae. Embora tenha origem na transmissão de animais silvestres para humanos, a atual via principal de contágio ocorre diretamente entre pessoas. A infecção se dá pelo contato direto com lesões na pele, fluidos corporais, secreções respiratórias em situações de contato próximo e prolongado, ou mediante objetos contaminados, como roupas e lençóis. O período de incubação, até o início dos sintomas, varia de três a 16 dias, podendo alcançar 21 dias.
O diagnóstico definitivo exige exame laboratorial, que analisa amostras da secreção ou das crostas retiradas das feridas. Atualmente, o sistema de saúde não dispõe de um medicamento específico de amplo acesso voltado para a cura, concentrando o atendimento no alívio dos sintomas. A doença costuma ter duração de duas a quatro semanas, com a maioria dos quadros apresentando evolução de leve a moderada. A transmissibilidade permanece ativa desde os primeiros sintomas até a completa cicatrização das lesões na pele.
Critérios de vacinação
Segundo as diretrizes do Ministério da Saúde, a vacina contra a Mpox não está disponível para o público em geral, sendo restrita a grupos que apresentam maior vulnerabilidade para o desenvolvimento de formas graves.
Fazem parte do público-alvo:
- Pessoas vivendo com HIV/aids e quadro de imunossupressão (com contagem de CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses), especialmente homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais a partir de 18 anos.
- Profissionais de laboratório com atuação direta na manipulação do Orthopoxvírus.
- Pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados, mediante avaliação da vigilância em saúde.





