desinformação afasta mulheres de exames e atrasa diagnóstico precoce – Em Dia ES

O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado na segunda-feira (19), levanta um alerta sobre como o compartilhamento de informações incorretas atrasa o cuidado médico e a busca por tratamento. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 78,6 mil novos casos da doença por ano no triênio de 2026 a 2028.
Esse número representa um risco estimado de 71,57 ocorrências a cada 100 mil mulheres. O câncer de mama é o tipo mais frequente entre as brasileiras, excluindo os tumores de pele não melanoma.
O mito da herança genética
Uma das principais falsas percepções é a de que a doença afeta apenas quem possui histórico familiar. Contudo, segundo as informações do INCA, entre 90% e 95% dos diagnósticos não têm relação com mutações genéticas hereditárias.
O desenvolvimento do tumor, na maioria das situações, resulta de uma combinação de fatores como o envelhecimento, alterações hormonais, histórico reprodutivo, condições ambientais e hábitos de vida.
A idade é apontada como um dos fatores de risco mais cruciais, uma vez que quatro em cada cinco casos ocorrem em mulheres com mais de 50 anos.
Rastreamento e sinais de alerta
Embora conhecer as características do próprio corpo ajude a perceber alterações, essa atenção não substitui a mamografia e a avaliação de profissionais de saúde. A mamografia é o principal exame de rastreamento e pode identificar o problema antes que ele seja perceptível ao toque.
Atualmente, a recomendação do Ministério da Saúde é que mulheres de 50 a 74 anos realizem o exame a cada dois anos. O Sistema Único de Saúde (SUS) também garante o acesso à mamografia para mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos, após receberem orientações profissionais sobre os possíveis benefícios e riscos.
Em caso de suspeita, a mamografia diagnóstica e outros exames podem ser solicitados em qualquer idade.
É indicado buscar uma unidade de saúde ao notar caroço ou nódulo endurecido na mama, na axila ou perto da clavícula; mudanças no formato ou tamanho da mama; retração do mamilo; alterações na pele, como vermelhidão, espessamento ou aspecto de casca de laranja; e saída espontânea de líquido, especialmente com sangue. Tais sinais precisam de avaliação profissional, pois também podem estar relacionados a condições benignas.
Fatores de risco e prevenção
O desenvolvimento do câncer envolve a exposição a uma combinação de fatores biológicos, hormonais, reprodutivos, ambientais e comportamentais. Elementos como menopausa tardia, obesidade, sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e exposição prolongada a hormônios aumentam o risco.
Por outro lado, manter hábitos saudáveis pode evitar cerca de 30% dos casos. As medidas de prevenção, que melhoram as condições gerais de saúde, incluem a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso e a redução do consumo de álcool e carnes processadas.
A importância do diagnóstico ágil e da informação confiável
Identificar o câncer em seus estágios iniciais amplia as possibilidades de tratamento, apresenta menor comprometimento da mama e proporciona melhores taxas de sobrevida. Especialistas aconselham que as mulheres mantenham o acompanhamento regular e procurem avaliação imediata diante de qualquer alteração.
No cenário atual, com o aumento de conteúdos sem respaldo científico em redes sociais e aplicativos de mensagens, buscar orientação em instituições sérias, como o INCA, sociedades médicas e profissionais de saúde, é fundamental para tomar decisões baseadas em evidências.
O acesso a informações verdadeiras garante que mais brasileiras conheçam os seus direitos, reconheçam os sinais e busquem o sistema de saúde no momento adequado.





