Saúde

Brasil completa 10 anos sem raiva humana transmitida por cães e intensifica vacinação na fronteira – Em Dia ES

O Brasil completa, em 2026, dez anos sem registrar casos de raiva humana transmitida por variantes caninas. Para manter a prevenção e intensificar o controle da doença, o Ministério da Saúde abre neste sábado (22) uma campanha simultânea de vacinação de cães e gatos nas áreas de fronteira do Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul.

A mobilização abrange ações integradas com a Bolívia e o Peru, visando o monitoramento coordenado em locais com intenso fluxo de pessoas e animais.

A Campanha de Vacinação Antirrábica Canina e Felina na Fronteira inclui a disponibilização de vacinas e materiais para três municípios brasileiros, além de oferecer suporte logístico às atividades nos países vizinhos.

Para garantir a eficácia da imunização e a segurança da operação, o governo federal enviou equipamentos como caixas térmicas e termômetros para o armazenamento das doses, bem como cambões, cordas e focinheiras para o manejo dos animais.

O diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis, Francisco Edilson Ferreira, pontuou a importância do trabalho compartilhado entre as nações.

“Essa ação fortalece a vigilância integrada da raiva e a vacinação de cães e gatos em regiões de fronteira, onde a circulação de pessoas e animais entre diferentes países exige ações coordenadas de prevenção e controle”, explicou o diretor.

Variantes silvestres exigem monitoramento contínuo
Apesar da eliminação das transmissões pelas variantes de cães, identificadas cientificamente como AgV1 e AgV2, o vírus da raiva segue em circulação no território nacional, restrito a animais silvestres, especialmente morcegos, primatas e raposas.

No período de 2016 a 2026, o Brasil confirmou 37 diagnósticos de raiva humana, todos atrelados a essas variantes silvestres.

O detalhamento estatístico indica que os morcegos foram responsáveis diretos por 22 desses casos. O levantamento governamental também contabiliza infecções provenientes de primatas (7), felinos contaminados por variante de morcego (4) e raposas (2). Houve ainda a confirmação de um cão e um bovino infectados pela cepa originária de morcegos.

Atendimento imediato e profilaxia gratuita
Classificada como uma doença viral grave, a raiva possui alta taxa de letalidade a partir do momento em que os sintomas se manifestam. Diante deste cenário, os especialistas enfatizam a necessidade de manter a caderneta de vacinação dos animais domésticos atualizada e de observar espécimes com comportamento atípico.

Em episódios de mordidas, arranhões ou contato de risco com a saliva de qualquer mamífero, a recomendação é buscar atendimento em uma unidade de saúde imediatamente, independentemente da gravidade aparente do ferimento.

No serviço de saúde, o paciente passará por uma avaliação médica que definirá a necessidade de profilaxia antirrábica, tratamento que pode incluir a administração de vacina, soro ou imunoglobulina.

As autoridades também orientam a população a não manipular morcegos e outros animais silvestres encontrados mortos ou debilitados. A assistência e os insumos para a profilaxia humana são oferecidos gratuitamente.

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