Câncer que matou atriz Lua Blanco aos 39 anos avança entre jovens e tem sintomas silenciosos – Em Dia ES

A artista Lua Blanco faleceu neste domingo (18), aos 39 anos, vítima de um câncer colorretal. Reconhecida nacionalmente por interpretar a personagem Roberta na adaptação brasileira da novela “Rebelde”, ela havia sido diagnosticada com a doença cerca de dois meses antes de sua morte, segundo familiares.
O corpo da atriz e cantora é velado nesta segunda-feira (19), das 13h às 16h, na Capela 6 do Cemitério Vertical Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro, de acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles.
O diagnóstico e o apoio familiar
Segundo a tia da artista, Maria Cândida Ribeiro, em entrevista ao portal Terra, Lua Blanco teve um período breve entre a descoberta do tumor e o falecimento.
“A Lua desde o diagnóstico até a partida dela foram dois meses, então ela foi muito agraciada com a passagem rápida, sem sofrimento, sem medo. A Lua foi uma mulher muito espiritualizada”, afirmou. A tia também revelou que a sobrinha contou com uma rede de apoio composta por mais de 80 amigos e familiares ao longo dos últimos meses.
O irmão da atriz, Daniel Blanco, publicou uma manifestação nas redes sociais assinada pela “Família Blanco”, na qual pediu respeito ao luto e agradeceu as mensagens dos fãs.
“Nesse tempo ela foi completamente rodeada pelo amor da família e dos amigos que estiveram com ela a vida toda. Ela se foi em paz, preenchida de amor e com a fé plena de que ia direto pras mãos de Deus. Ela estará conosco para sempre, nos iluminando com a sua forte luz eterna”, escreveu ele no Instagram.
A irmã Ana Terra também prestou homenagens, compartilhando a publicação de Daniel com a mensagem: “A vida é um sopro. Te amo irmã. Você segue em nós para sempre”.
Outras personalidades do meio artístico manifestaram solidariedade, como a atriz Larissa Manoela, que desejou “todo amor e força” aos familiares, e a cantora Maria Gadú, que enviou “um abraço apertado” aos parentes.
Avanço da doença entre jovens
A morte prematura da artista reacendeu os debates médicos sobre a incidência do câncer de intestino em adultos mais jovens, grupo que historicamente não é o alvo principal dos rastreamentos preventivos.
O caso reforça a necessidade de investigar alterações persistentes no organismo, mesmo em pessoas com menos de 40 anos. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) classifica o tumor colorretal como o segundo mais frequente no aparelho digestivo e o terceiro que mais causa mortes no Brasil.
Embora seja mais prevalente entre indivíduos de 60 a 70 anos, estatísticas globais recentes apontam uma mudança de perfil. Um levantamento mundial registrou, ao longo de três décadas, um salto de 79% na detecção anual de novos casos de câncer em pessoas abaixo dos 50 anos, incluindo o intestinal. Nos Estados Unidos, a doença já se tornou a principal causa de morte oncológica em homens nessa faixa etária.
Pesquisadores apontam o sedentarismo, a obesidade e os hábitos alimentares como os principais impulsionadores desse aumento. Um estudo da Cleveland Clinic identificou que moléculas derivadas de dietas baseadas em carne vermelha e processada estão entre as causas do surgimento precoce desses tumores.
Outra pesquisa, conduzida pela Universidade do Sul da Flórida, concluiu que gorduras presentes em alimentos ultraprocessados elevam a inflamação corporal associada ao câncer e alteram a microbiota intestinal.
“Quando seu corpo se alimenta diariamente de alimentos ultraprocessados, sua capacidade de curar essa ferida diminui devido à inflamação e à supressão do sistema imunológico, o que permite que o câncer cresça”, explicou em comunicado Timothy Yeatman, professor de cirurgia da Faculdade de Medicina Morsani e coautor do estudo da universidade norte-americana.
O uso indiscriminado de antibióticos, que destrói bactérias benéficas da flora intestinal, também é listado como fator de risco.
Sintomas, diagnóstico e prevenção
O câncer colorretal é caracterizado pelo desenvolvimento inicial silencioso, muitas vezes a partir de pólipos na parede do intestino. Quando manifesta sinais, eles podem ser confundidos com condições benignas, a exemplo de hemorroidas e prisão de ventre.
Os sintomas de alerta incluem mudanças consistentes na frequência e textura das evacuações (diarreia ou constipação prolongada), sangramento retal ou sangue oculto nas fezes, cólicas, desconforto abdominal, sensação de esvaziamento incompleto, fadiga contínua resultante de anemia, e perda de peso sem explicação.
O coloproctologista Danilo Munhóz, da Clínica Primazo, enfatiza a relevância da percepção desses indícios.
“Esse caso reforça a importância de investigar sintomas como sangramento nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, anemia e perda de peso inexplicada, independentemente da idade. O câncer de intestino pode ser prevenido em muitos casos e, quando diagnosticado precocemente, apresenta elevadas chances de cura”, afirmou.
No Brasil, o protocolo do Sistema Único de Saúde (SUS), atualizado em 2026, estabelece o rastreamento para a população assintomática de risco habitual entre 50 e 75 anos. O teste de referência inicial na rede pública é a pesquisa de sangue oculto nas fezes, seguido por colonoscopia em caso de alterações.
Contudo, devido à mudança epidemiológica, entidades como a American Cancer Society passaram a recomendar o início do rastreio preventivo aos 45 anos.
A oncologista Daiana Ferraz, da Cetus Oncologia, reitera a necessidade dessa antecipação.
“É fundamental realizar exames de rastreamento, como a colonoscopia, especialmente a partir dos 45 anos ou antes, quando há histórico familiar. Também é importante ficar atento a qualquer sinal suspeito e procurar avaliação médica”, ressaltou a especialista.
A adoção de uma dieta rica em fibras, cereais, frutas e verduras, somada à prática de exercícios físicos e à restrição de álcool e tabaco, também integra as orientações médicas globais para reduzir as probabilidades de desenvolvimento do tumor.
Trajetória artística
Nascida em São Paulo, em 5 de março de 1987, Lua Blanco era filha do músico Billy Blanco Jr e da musicista Maria Claudia Blanco. Ela deixa cinco irmãos: Pedro Sol Blanco, Ana Terra Blanco, Estrela Blanco, Daniel Cielo Blanco e Marisol Blanco. Atuou profissionalmente como atriz, cantora, compositora e escritora.
Na televisão, iniciou participando das novelas da Globo “Três Irmãs” (2008), como Bia, e “Malhação” (2009), na qual viveu a personagem Joe. A projeção nacional ocorreu em 2011, pela Record, quando interpretou Roberta em “Rebelde”. Retornou às telas como Silvinha, em “Pecado mortal” (Record, 2013), e como Anita, em “A força do querer” (Globo, 2017).
Após esse último trabalho, fez uma pausa nas novelas para investir na carreira musical. No cinema, integrou o elenco do filme “As irmãs Fox”, sob direção de Wagner de Assis.





