veja os sinais que não devem ser ignorados – Em Dia ES

O câncer de mama não é uma doença exclusiva de mulheres mais velhas. Embora cerca de quatro em cada cinco casos ocorram após os 50 anos, mais de 108 mil brasileiras com menos de 50 anos receberam o diagnóstico entre 2018 e 2023. O número corresponde a aproximadamente uma em cada três mulheres diagnosticadas no período, segundo levantamento do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), com base em dados do Painel Oncologia Brasil.
Os dados reforçam a importância de ficar atenta a alterações nas mamas e procurar atendimento quando uma mudança for nova, persistente ou diferente do padrão habitual.
Quais são os sinais de alerta?
Em mulheres mais jovens, algumas alterações podem ser confundidas com mudanças hormonais, efeitos do ciclo menstrual, cistos ou outras condições benignas. Por isso, conhecer o próprio corpo e observar modificações persistentes é importante.
Entre os sinais que devem ser avaliados por um profissional de saúde estão:
Nódulo endurecido, fixo e geralmente indolor;
Alterações na pele, como retração ou aparência semelhante à casca de laranja;
Mudança no formato ou tamanho da mama;
Retração do mamilo;
Secreção espontânea pelo mamilo;
Nódulo na axila.
“A idade é um fator importante para o risco, mas não funciona como uma barreira contra a doença. Quando uma alteração é nova, persiste ou foge do padrão habitual daquela mulher, ela precisa ser investigada, mesmo que a paciente seja jovem”, explica o médico oncologista Jean Coutinho, do CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.
Segundo o especialista, a orientação não tem o objetivo de gerar alarme, mas de evitar que uma possível alteração seja descartada somente por causa da idade.
Câncer de mama é o tipo mais incidente entre mulheres
O câncer de mama é o tipo de câncer mais incidente entre a população feminina no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma. Para cada ano do triênio de 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos da doença no país.
Em 2024, 20.849 mulheres morreram em decorrência do câncer de mama, de acordo com dados do Instituto.
Para o oncologista, a atenção aos sinais do próprio corpo pode contribuir para que alterações sejam investigadas no momento adequado.
“É importante que a mulher observe suas mamas e reconheça o que é habitual para ela. O aparecimento de uma alteração que persiste ou que evolui deve motivar a procura por atendimento profissional”, orienta Jean Coutinho.
Mamografia: quando o exame é indicado?
Uma das principais dúvidas relacionadas ao câncer de mama é sobre a idade para iniciar a mamografia. Nesse ponto, é importante diferenciar rastreamento de investigação de sintomas.
Para mulheres sem sinais ou sintomas, o rastreamento populacional de rotina segue recomendado pelo INCA entre 50 e 74 anos, a cada dois anos.
Desde setembro de 2025, mulheres entre 40 e 49 anos e acima de 74 anos também podem ter acesso à mamografia pelo SUS, mesmo sem sintomas, por demanda e mediante decisão compartilhada com o profissional de saúde, após orientação sobre os possíveis riscos e benefícios do exame.
Isso não significa, porém, que uma mulher mais jovem com algum sinal de alteração deva esperar para procurar atendimento.
“Rastreamento e investigação de sintomas não são a mesma coisa. O rastreamento é destinado a uma população definida, enquanto uma mulher com uma alteração persistente precisa ser avaliada independentemente da idade”, explica o oncologista.
A definição dos exames deve considerar a história clínica, o exame físico, a idade, os sintomas e outros fatores de risco de cada paciente.
Histórico familiar pode indicar maior atenção
O histórico familiar também deve fazer parte da conversa com o profissional de saúde. Casos de câncer de mama ou ovário, especialmente em mulheres que receberam o diagnóstico em idade jovem, devem ser informados.
A ocorrência de câncer de mama em homens na família também é uma informação importante para a avaliação.
Segundo o INCA, os casos de câncer de mama de caráter hereditário correspondem a cerca de 5% a 10% do total. A ausência de casos na família, entretanto, não significa que uma mulher esteja livre do risco de desenvolver a doença.
Quando procurar atendimento?
A recomendação é procurar uma unidade de saúde diante de uma alteração que seja nova e persista ou evolua. O profissional poderá avaliar o caso e indicar os exames necessários.
A principal orientação durante o Outubro Rosa é não ignorar mudanças no próprio corpo e não atribuir automaticamente uma alteração a fatores hormonais ou à idade.
“A principal mensagem do Outubro Rosa é não ignorar o próprio corpo nem concluir, apenas pela idade, que uma alteração não precisa ser investigada”, finaliza Jean Coutinho.





