Quaest: Lula ultrapassa Flávio Bolsonaro no 2º turno e aprovação do governo sobe

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) encontram-se em empate técnico nas intenções de voto para um eventual segundo turno nas eleições presidenciais de 2026. É o que revela a pesquisa Genial/Quaest divulgada na manhã desta quarta-feira (13). O levantamento, realizado por meio de entrevistas domiciliares em todo o país entre os dias 8 e 11 de maio, aponta o petista numericamente à frente com 42%, contra 41% do parlamentar, e registra, paralelamente, uma redução na desaprovação do governo federal.
O cenário aponta para uma estabilidade na polarização. Na pesquisa anterior, divulgada em abril, o senador liderava com 42% contra 40% do atual presidente. Em março, ambos marcavam 41%. Atualmente, os votos brancos, nulos ou de eleitores que afirmam não comparecer às urnas somam 14%, enquanto os indecisos representam 3%.
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, ressalta a constância dos números. “É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico entre Lula e Flávio. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui”, afirma.
A decisão final pode recair sobre os eleitores independentes, segmento que representa 32% do eleitorado e não se declara de esquerda, direita, lulista ou bolsonarista. Neste grupo, 35% não pretendem votar em nenhum dos dois; 31% escolheriam Flávio Bolsonaro e 29% votariam em Lula. Segundo Felipe Nunes, “o eleitor independente oscilou marginalmente em favor do Lula”, interrompendo uma tendência negativa que vinha desde janeiro de 2026.
Disputa de primeiro turno e reflexo no Sudeste
Em um cenário estimulado de primeiro turno com dez possíveis candidatos, Lula lidera com 39% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%. Juntos, eles concentram 72% das escolhas do eleitorado. Muito distantes, aparecem os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), ambos com 4%.
Renan Santos (Missão) soma 2%, seguido por Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Samara Martins (UP), todos com 1%. Aldo Rebelo (DC) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. Indecisos são 5%, e brancos/nulos somam 10%. Segundo o instituto, 63% dos eleitores já consideram sua decisão de voto definitiva, um salto em relação aos 57% registrados em abril.
O cruzamento de dados demográficos evidencia as forças de cada candidato. No Sudeste, o cenário é de forte equilíbrio, com Flávio Bolsonaro registrando 35% contra 34% de Lula. O senador tem seu melhor desempenho na região Sul (40%) e entre o público evangélico (49%). Já o petista encontra sua maior base de apoio no Nordeste (58%), entre os eleitores com até o Ensino Fundamental (49%) e católicos (48%).
Simulações alternativas de segundo turno
O instituto testou a viabilidade de outros nomes do campo conservador contra o atual presidente em eventuais segundos turnos. Lula vence em todos os cenários apresentados:
- Lula x Romeu Zema: O petista marca 44% contra 37% do candidato do Novo (15% brancos/nulos; 4% indecisos).
- Lula x Ronaldo Caiado: O presidente tem 44% ante 35% do ex-governador de Goiás (17% brancos/nulos; 4% indecisos).
- Lula x Renan Santos: Lula atinge 45%, enquanto Renan fica com 28% (22% brancos/nulos; 5% indecisos).
No quesito rejeição, Flávio Bolsonaro e Lula lideram, sendo rejeitados por 54% e 53% dos eleitores, respectivamente, que afirmam não votar neles “de jeito nenhum”. Caiado tem 32% de rejeição e Zema, 27%.
Avaliação e aprovação da gestão federal
A pesquisa de maio trouxe um alívio para o Palácio do Planalto. A desaprovação do governo Lula oscilou de 52% (em abril) para 49%, enquanto a aprovação passou de 43% para 46%. A diferença entre os índices caiu de 9 para 3 pontos percentuais.
Quando questionados sobre a avaliação geral do governo, 39% a classificam como negativa (queda de três pontos em relação a abril), 34% a veem como positiva (alta de três pontos) e 25% a consideram regular. A distância entre a avaliação negativa e a positiva, que era de 11 pontos, recuou para 5 pontos.
O instituto mediu o impacto de ações recentes do governo. O lançamento do programa “Desenrola 2.0” (renegociação de dívidas usando o FGTS) é considerado uma boa ideia por 50% dos entrevistados, e 48% acreditam que a medida ajudará muito as famílias endividadas. Além disso, a recente visita de Lula ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi vista como positiva por 43%, que consideram que o petista saiu mais forte do encontro.
A percepção midiática também sofreu leve alteração: 43% dos entrevistados dizem ter visto mais notícias negativas sobre o governo recentemente (eram 48% no mês passado), enquanto 32% viram mais notícias positivas (ante 23% em abril).
Apesar do recuo na desaprovação, 53% dos eleitores ainda acreditam que o Brasil está caminhando na direção errada, contra 38% que veem o país na direção certa. Sobre a continuidade de Lula no poder, 55% avaliam que ele não merece um novo mandato, contra 41% que acham que ele merece seguir como presidente.
O fator “medo” e a moderação
A polarização também se reflete no temor dos eleitores em relação ao futuro político. Para 44% dos entrevistados, o maior medo é o retorno da família Bolsonaro ao poder. Em contrapartida, 42% afirmam que o pior cenário seria a reeleição de Lula. Outros 7% temem ambas as possibilidades e 3% não temem nenhuma.
Quando perguntados sobre o perfil dos líderes, 40% consideram Lula mais moderado que o PT, enquanto 45% discordam dessa premissa. Já 39% veem Flávio Bolsonaro como mais moderado que sua família, visão rejeitada por 47% dos entrevistados.
Metodologia
O levantamento Genial/Quaest realizou 2.004 entrevistas face a face entre os dias 8 e 11 de maio de 2026, com eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-03598/2026.





