Política

“Não vamos permitir que preço internacional chegue ao bolso do caminhoneiro e da dona de casa”, diz Lula sobre guerra no Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (2) que o governo federal mobilizou a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para investigar distribuidoras e impedir que a guerra envolvendo o Irã provoque alta nos preços de alimentos e combustíveis no Brasil. Durante entrevista concedida à TV Record Bahia, em Salvador, o chefe do Executivo também apresentou balanços oficiais que indicam a redução da dependência do programa Bolsa Família, além de detalhar indicadores recentes de desemprego, metas alcançadas na educação básica e o panorama do setor energético nacional.

Força-tarefa contra a inflação
Para evitar que a instabilidade no Oriente Médio afete o custo de vida no Brasil, o governo iniciou um processo de fiscalização focado em intermediários da cadeia produtiva. O objetivo, segundo o presidente, é coibir a especulação financeira sobre itens básicos.

“Nós estamos tentando colocar a Polícia Federal para pegar quem for necessário, a Polícia Rodoviária Federal, para investigar redistribuidoras, porque tem muita gente ganhando dinheiro, roubando o povo. Porque não tinham o direito de ter aumentado, estão aumentando, e nós estamos atrás”, declarou Lula.

O presidente ressaltou que as medidas visam proteger diretamente o poder de compra da população e os custos logísticos do setor de transportes. “Nós estamos fazendo todo o esforço possível para não permitir que a guerra irresponsável do Irã chegue ao bolso do povo que vai comprar alface, feijão, arroz, milho, que vai comprar a comida do seu filho. Nós não vamos permitir que o preço internacional chegue ao bolso do caminhoneiro, chegue ao bolso da dona de casa”, afirmou.

De acordo com os dados apresentados na entrevista, o Brasil registra atualmente a menor inflação acumulada em quatro anos. Como medida complementar para auxiliar o orçamento doméstico, o governo mantém a distribuição do Gás do Povo, benefício que atende 15 milhões de famílias com gás de cozinha gratuito.

Mobilidade social e emprego
Outro ponto abordado foi a reestruturação dos programas de transferência de renda. Entre janeiro e outubro de 2025, mais de dois milhões de famílias deixaram de receber o Bolsa Família, segundo a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

Os dados mostram que a principal causa de saída do programa foi a elevação da renda própria:

  • 1.318.214 famílias saíram do benefício devido ao aumento dos ganhos totais no domicílio.
  • 726.799 famílias concluíram o período na Regra de Proteção (mecanismo que garante 50% do benefício por até 12 meses após a renda per capita superar R$ 218 mensais, até o teto de R$ 706).
  • 24.763 famílias solicitaram o desligamento voluntário.

Em outubro do ano passado, o programa atendeu 18,9 milhões de lares, o menor contingente desde o início do atual mandato presidencial. O cenário coincide com a menor taxa de desemprego da série histórica, registrada em 5,4% no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, e com o crescimento do rendimento do trabalho, que atingiu uma máxima salarial de R$ 3.742 entre a camada mais vulnerável.

“O sonho que eu tenho é que um dia o povo esteja tão bem de vida que não precise mais do Bolsa Família”, afirmou o presidente. “A hora que ele tiver dinheiro, ele não vai precisar mais de viver de favor do Estado”.

Avanços e expansão na Educação
Na área educacional, o governo destacou a adesão quase total dos municípios brasileiros ao Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Ao todo, 5.565 prefeituras (99,9% dos municípios do país) integram o pacto federativo, que busca alfabetizar todas as crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental e recuperar defasagens de alunos do 3º ao 5º ano oriundas da pandemia.

A meta estipulada era atingir 80% das crianças alfabetizadas na idade certa até 2030. No entanto, em um ano e meio de execução do programa, o índice já alcançou 66%. “O objetivo é chegar a 100%”, enfatizou Lula.

A retenção de alunos no ensino médio e a expansão da jornada escolar também apresentaram crescimento. O país contabiliza hoje 8,8 milhões de matrículas em Escolas de Tempo Integral e 5,6 milhões de jovens do ensino médio público beneficiados pelo Pé-de-Meia, uma poupança financeira voltada a reduzir a evasão e a desigualdade social. Além disso, o governo projeta ampliar a rede de Institutos Federais, passando dos 140 herdados para 800 unidades em todo o território nacional.

Liderança em energia limpa
No encerramento da entrevista, os dados sobre a matriz energética brasileira foram apresentados como um contraponto às metas globais de sustentabilidade. Enquanto a Europa projeta alcançar 40% de energia renovável até o ano de 2050, o Brasil já possui, atualmente, 53% de toda a sua matriz energética baseada em fontes limpas, como eólica, solar, biomassa e hidrogênio verde.

Quando o recorte é feito exclusivamente sobre a energia elétrica, o índice brasileiro salta para 87% de fontes renováveis. “O Brasil é um modelo, é um exemplo a ser seguido”, concluiu o presidente.

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