Política

Casagrande renuncia para disputar vaga no Senado e Ferraço assume Governo do ES

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), anunciou na tarde desta segunda-feira (2) que renunciará ao cargo para disputar uma das duas vagas do Estado no Senado Federal nas eleições deste ano. Em entrevista coletiva realizada no Palácio Anchieta, em Vitória, ficou definido que a transição de governo ocorrerá durante o mês de março, culminando com a posse do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como chefe do Executivo estadual até o dia 4 de abril.

Prazos eleitorais e transição administrativa
A saída de Casagrande atende a uma exigência da Justiça Eleitoral, que determina a desincompatibilização de ocupantes de cargos executivos exatos seis meses antes do primeiro turno do pleito, agendado para 4 de outubro. O prazo legal para a formalização da renúncia se encerra no dia 4 de abril.

Durante o anúncio, Casagrande explicou que o mês de março funcionará como um período de “transição interna” para evitar a perda de intensidade das ações do governo. O processo incluirá reuniões e aprofundamento das políticas públicas com todas as secretarias, inclusive aquelas cujos titulares também deverão deixar os cargos para concorrer nas eleições.

Estratégia política e continuidade
Ao assumir o comando do Espírito Santo, Ricardo Ferraço completará o mandato vigente, que se encerra no início de janeiro do próximo ano. A movimentação integra a estratégia política da atual gestão: Ferraço é o pré-candidato governista ao Palácio Anchieta e passará a disputar o pleito de outubro na condição de governador de fato e de direito.

Pela legislação brasileira, caso vença as eleições, Ferraço iniciará em janeiro o seu segundo mandato consecutivo no Executivo estadual. Consequentemente, ele ficará impedido de buscar uma nova reeleição ao cargo no pleito de 2030.

Declarações e alinhamento
Casagrande justificou a decisão afirmando ter segurança na capacidade do vice-governador para manter o equilíbrio fiscal, a alta poupança e a capacidade de investimento do Estado.

“Faço isso com muita tranquilidade, com muita segurança, porque quem vai assumir o governo será Ricardo Ferraço. A segurança e a tranquilidade de ser Ricardo é real, porque Ricardo é trabalhador e não tem medo de trabalhar”, declarou Casagrande, ressaltando ainda que o vice não possui denúncias que desabonem sua conduta e conhece a máquina pública e as comunidades capixabas.

Ferraço, por sua vez, assumiu o compromisso de dar continuidade às políticas da atual gestão, citando o programa Estado Presente e iniciativas de educação, saúde e segurança.

“É uma transição que assegura a manutenção desse rumo, ampliando ainda o ritmo para que os resultados possam se fazer presentes, melhorando a qualidade de vida a cada dia dos capixabas”, pontuou Ferraço. O futuro governador acrescentou: “A casa está arrumada […] nós temos café no bule para continuar melhorando, fazendo o Espírito Santo cada dia mais forte, honrando a Deus e aos capixabas”.

Contexto histórico e trajetórias
Esta é a segunda vez na atual era democrática (iniciada na Nova República, em 1985) que um governador capixaba renuncia para concorrer ao Senado, passando a faixa para o vice. O único precedente ocorreu em maio de 1986, quando Gerson Camata deixou o posto, transferindo o comando do Palácio Anchieta para o então vice, José Moraes. Moraes governou até março de 1987 e não foi candidato à reeleição, prática que só seria permitida por lei a partir de 1998.

A renúncia marca o fim de mais um ciclo de Renato Casagrande à frente do Executivo capixaba, cargo que ele ocupou nos períodos de 2011 a 2014, e de 2019 até a sua reeleição para o mandato atual. Em sua trajetória política, Casagrande também já exerceu os cargos de deputado estadual, deputado federal e cumpriu meio mandato no Senado, entre 2007 e 2010.

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