ES começa a vacinar 24,5 mil profissionais de saúde contra a dengue com dose única

O Ministério da Saúde iniciou, nesta semana, a vacinação de profissionais da Atenção Primária contra a dengue no Espírito Santo. A ação utiliza o novo imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, que é 100% nacional, tetraviral e de dose única. A estimativa é beneficiar 24,5 mil trabalhadores da saúde no estado, sendo que as primeiras 10,6 mil doses já foram encaminhadas para a distribuição. Novas remessas estão previstas para as próximas semanas.
Esta etapa faz parte de uma estratégia nacional que visa proteger 1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país. Até o momento, 650 mil doses foram enviadas aos estados. O objetivo é imunizar médicos, enfermeiros, técnicos, agentes comunitários e outros profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), considerados essenciais no combate à doença.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância de proteger quem está no contato direto com a população. “A vacinação está começando por toda a equipe multiprofissional cadastrada no SUS. São aquelas pessoas que batem na porta, visitam a casa das pessoas, observam se tem criadouro do mosquito da dengue, fazem o acompanhamento, a mobilização. Também são aqueles profissionais que estão na primeira porta de entrada quando tem casos de dengue”, declarou.
Público-alvo detalhado
A definição do público prioritário seguiu recomendações da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI). A lista de profissionais contemplados inclui tanto a equipe assistencial quanto os trabalhadores de apoio administrativo e operacional das unidades de saúde.
Profissionais assistenciais e de prevenção:
- Médicos;
- Enfermeiros e técnicos de enfermagem;
- Odontólogos;
- Equipes multiprofissionais (eMulti);
- Agentes comunitários de saúde (ACS) e de combate às endemias (ACE).
- Trabalhadores administrativos e de apoio:
- Recepcionistas e seguranças;
- Profissionais de limpeza e cozinheiros;
- Motoristas de ambulância;
- Outros trabalhadores atuantes nas UBS.
Eficácia e expansão da vacina
A vacina brasileira apresenta 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos e 89% de proteção contra formas graves e sinais de alarme. O imunizante protege contra os quatro sorotipos do vírus.
A ampliação da campanha para a população geral está prevista para o segundo semestre de 2026. O cronograma deve atender pessoas de 15 a 59 anos, iniciando pelos mais velhos e avançando gradualmente para as faixas etárias mais jovens.
Para viabilizar essa expansão, foi firmada uma parceria estratégica entre o Brasil e a China, envolvendo a transferência de tecnologia do Instituto Butantan para a empresa WuXi Vaccines. Com essa cooperação, a expectativa é aumentar a capacidade produtiva da vacina nacional em até 30 vezes.
Simultaneamente, o Ministério da Saúde conduz uma ação de aceleração da vacinação em três municípios-piloto desde janeiro: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nestas localidades, adolescentes e adultos de 15 a 59 anos já estão sendo vacinados para avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da doença.
Investimentos e produção
O desenvolvimento da vacina contou com um aporte de R$ 130 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, o Ministério da Saúde investiu R$ 368 milhões para a aquisição de 3,9 milhões de doses, todo o quantitativo disponível atualmente.
Por meio do Novo PAC Saúde, também estão previstos R$ 1,3 bilhão para a reforma e construção de quatro fábricas do Instituto Butantan, visando fortalecer a autonomia nacional na produção de imunobiológicos.
Vale ressaltar que o SUS continua ofertando a vacina do laboratório japonês (duas doses) para adolescentes de 10 a 14 anos. Desde sua incorporação em 2024, foram aplicadas 7,4 milhões de doses deste imunizante específico.
Queda nos casos em 2025
O cenário epidemiológico apresenta uma retração nos números da doença. Em 2025, o Brasil registrou uma queda de 74% nos casos de dengue em comparação a 2024. Foram notificados 1,7 milhão de casos prováveis, contra 6,5 milhões no ano anterior. O número de óbitos também caiu 72%, passando de 6,3 mil em 2024 para 1,7 mil em 2025.
Apesar da redução expressiva, as autoridades sanitárias reforçam que a vacinação é uma estratégia complementar e não substitui os cuidados básicos. A eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti permanece como a principal forma de combate à dengue, Zika e Chikungunya.





